Conclusões baseadas na visão local do Brasil, agregando 45 itens da metodologia Painel ClimaBrasil, aplicada em 27 estados e 24 municípios

Das capitais brasileiras avaliadas, apenas 4 identificaram os grupos mais vulneráveis às mudanças climáticas

Identificar bem os grupos e entender suas necessidades é essencial para criar políticas que reduzam os impactos da mudança do clima de maneira inclusiva e justa. Governos precisam mapear riscos ambientais, cruzar com dados sociais e econômicos, considerar fatores de exclusão social e avaliar a capacidade de adaptação das populações, especialmente aquelas que dependem de atividades sensíveis ao clima.

A maioria dos estados desconhece os riscos da mudança do clima em seu território

Sem conhecer os riscos climáticos, as ações se tornam reativas e desorganizadas, dificultando o uso eficiente de recursos e a definição de prioridades. Para lidar com os riscos climáticos, os governos precisam mapear vulnerabilidades e ameaças atuais e futuras, identificar áreas e setores mais expostos, entender suas fragilidades e planejar ações eficazes.

Participação em alta: quase todos os estados e capitais possuem formas de envolver os cidadãos, cientistas e empresários na discussão das políticas climáticas

Envolver diferentes pessoas e grupos ajuda a melhorar a gestão das políticas climáticas, trazendo mais ideias, experiências, transparência e colaboração para tornar as ações mais eficazes. Mas ainda há espaço para melhorias: governos têm que garantir a ampla representatividade de atores, participação também na implementação e no monitoramento das ações (e não só no planejamento), e efetivamente incorporar as contribuições.

A maioria dos governos estaduais colabora entre si, participando de redes para o enfrentamento das mudanças climáticas. Já as capitais enfrentam mais dificuldades

Eventos climáticos extremos afetam várias regiões ao mesmo tempo, exigindo que estados e municípios trabalhem juntos. A coordenação entre governos permite ações mais eficientes, troca de experiências e acesso a recursos. Para fortalecer a cooperação, os governos devem integrar redes colaborativas, indicar seus representantes, participar efetivamente das reuniões e garantir que esses representantes disseminem em suas instituições os conhecimentos adquiridos.

17 capitais brasileiras não estão se preparando para se recuperar de desastres causados pelas mudanças climáticas

Quando acontece um desastre, como enchentes ou secas, as cidades precisam agir de maneira rápida e certa. Se um desastre acontecer, não é suficiente reconstruir; é necessário reconstruir melhor do que antes. Os governos devem planejar com visão de futuro, incluindo cenários climáticos e mapeamento de riscos atualizados. É essencial criar fundos específicos para reconstrução resiliente, integrando o planejamento urbano ao pós-desastre e priorizando soluções sustentáveis. É importante também ir além da resposta emergencial, focando na reconstrução adaptada e de longo prazo.

Estados e capitais não sabem quanto gastam para enfrentar as mudanças climáticas

Sem monitoramento, os governos não sabem se estão realmente investindo na solução dos problemas climáticos mais críticos, nem conseguem planejar efetivamente os gastos futuros. Reduzir subsídios aos combustíveis fósseis é essencial para redirecionar os gastos públicos para fontes limpas. Os governos devem estabelecer padrões para identificar e monitorar os gastos que apoiam ou dificultam os objetivos climáticos.

24 estados possuem planos para redução do efeito estufa, mas apenas 7 definiram metas concretas

Sem metas, o governo não sabe aonde quer chegar, o quanto vai contribuir para a meta climática do país e para diminuir o aquecimento global. Os governos dos estados precisam ter planos que estejam atualizados, baseados em dados confiáveis, que incluam os setores que mais emitem gases e que tenham metas claras de redução, alinhadas com os compromissos do Brasil.

Desigualdade na adaptação climática: planejamento avançado em capitais do Sudeste e Nordeste, enquanto Norte e Centro-Oeste não possuem planos

Os custos financeiros e humanos das mudanças climáticas e dos eventos climáticos extremos estão se tornando mais graves e frequentes, tornando essencial que os governos tenham uma compreensão clara dos riscos e das prioridades para agir. Os governos devem compreender os riscos para se prepararem melhor para um clima em transformação. Os riscos devem ser acompanhados de planos com ações claras e indicadores para monitorar o progresso.

Metade das capitais avaliadas tem dificuldade para participar dos programas climáticos estaduais e federais

Os recursos são limitados e as ações climáticas exigem investimentos altos e duradouros, muitas vezes além da capacidade dos municípios. Por isso, é essencial aproveitar as oportunidades para diversificar as fontes. Os governos precisam identificar suas necessidades, mapear as fontes de apoio existentes, garantir capacidade técnica para elaborar e executar os projetos e participar efetivamente dos programas.

Estados incentivam investimento privado em clima, mas só 4 mobilizam recursos de fato

Os recursos são limitados e as ações climáticas exigem investimentos altos e duradouros. Por isso, é fundamental envolver empresas e cidadãos no esforço climático. Os governos devem agir ativamente para alinhar os interesses privados com a necessidade climática, tornando a execução de projetos economicamente viável e eficiente. Parcerias público-privadas, linhas de crédito, isenção de impostos são exemplos que podem ampliar a captação de recursos em prol de uma economia de baixo carbono.

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